As revoluções industriais do século XIX deram corpo à ideia de “progresso infinito”. A fé no progresso linear e contínuo rimou com a fé indefectível na ciência e na tecnologia. O século XX, por sua vez, concluiu-se em prantos sem precedentes tanto por uma como pela outra. As técnicas engendradas pelo aumento dos conhecimentos criam, com efeito, não apenas novas potencialidades, como também riscos novos para a humanidade. Os desafios suscitados pelas tecnologias da informação e da comunicação não são pequenos. Durante as duas últimas décadas do século XX, essas tecnologias foram realmente alçadas à posição de instrumento de reordenação do mundo. Elas encarnam a promessa de saída de uma crise estrutural, econômica e política, diagnosticada como “de civilização”. O universo de redes tornou-se o emblema de uma nova sociedade cosmopolita e de uma economia chamada de conhecimento. A nova sociedade de redes favorecerá o advento de um mundo menos marcado pelos desequilíbrios sociais ou reforçará as desigualdades planetárias, criando excluídos da modernidade digital? É fundamental instituir políticas públicas que permitam ao cidadão construir e reconstruir, em torno desses novos instrumentos de comunicação, em combinação com os antigos, estoques de conhecimento que correspondam a suas necessidades e estejam em harmonia com suas culturas. A apropriação de novas técnicas informativas pressupõe absolutamente um diálogo entre as culturas.
A. Mattelart. Diversidade cultural e mundialização. Trad. Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2005, p. 9-10 (com adaptações).
Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item seguinte.
O uso de metáforas, tais como “rimou com a fé”, “concluiu-se em prantos” e “encarnam a promessa”, cria a possibilidade de significações imprecisas, tornando vagas e pouco objetivas as argumentações apresentadas no texto, cuja natureza é institucional.