Em treze de abril de 2023, o Portal
G1
anunciava o lançamento de uma série documental
sobre a trajetória de vida e a obra do poeta cearense
Patativa do Assaré. Na reportagem, lê-se:
♪ Nascido na interiorana Assaré (CE), no sul do Ceará, Antônio Gonçalves da Silva (5 de março de 1909 — 8 de Julho de 2002) foi — na própria caracterização feita pelo artista nos versos do poema O agregado e o operário —“Matuto do Nordeste / Criado dentro da mata / Caboclo cabra da peste/ Poeta cabeça chata”. (G1, 2023).
Por outro lado, em depoimento presente na introdução do livro Ispinho e Fulô (2012), o próprio Patativa afirma:
Figura, cartaz da série O posta que veio do povo' — Foto: Divulgação
"[...] Quando meu pai morreu, eu fiquei apenas com 9 anos de idade. Meu pai morreu muito moço. E eu, ao lado dos meus irmãos e da minha mãe, tivemos que enfrentar a vida de pobre agricultor, no diminuto terreno que meu pai deixou como herança. Na idade de 12 anos eu frequentei uma escola lá mesmo no campo, onde vivia e onde ainda estou vivendo. Nesta escola o professor era muito atrasado, embora muito bom, muito cuidadoso, mas o coitado não conhecia nem sequer uma pontuação. Eu aprendi apenas a ler, sem ponto de português, sem vírgula, sem ponto, sem nada, mas como sempre a minha maior distração foi a poesia e a leitura, quando eu tinha tempo, chegava da roça, ao meio-dia ou ler à noite, a minha distração era ler, ler e ouvir outro para mim, o meu irmão mais velho, José [...]” (Assaré, 2012, p. 9).
A experiência narrada por Patativa evidencia tensões históricas que atravessam a educação do campo no Brasil, marcadas pela escassez de recursos, pela formação insuficiente de docentes, pelas condições materiais de vida e pelas mediações entre religiosidade, cultura oral e saber formal. À luz dos debates contemporâneos sobre desigualdades educacionais e políticas públicas, uma abordagem historicamente consistente acerca da formação continuada de professores e do investimento na educação do campo se aproxima de:
♪ Nascido na interiorana Assaré (CE), no sul do Ceará, Antônio Gonçalves da Silva (5 de março de 1909 — 8 de Julho de 2002) foi — na própria caracterização feita pelo artista nos versos do poema O agregado e o operário —“Matuto do Nordeste / Criado dentro da mata / Caboclo cabra da peste/ Poeta cabeça chata”. (G1, 2023).
Por outro lado, em depoimento presente na introdução do livro Ispinho e Fulô (2012), o próprio Patativa afirma:
Figura, cartaz da série O posta que veio do povo' — Foto: Divulgação
"[...] Quando meu pai morreu, eu fiquei apenas com 9 anos de idade. Meu pai morreu muito moço. E eu, ao lado dos meus irmãos e da minha mãe, tivemos que enfrentar a vida de pobre agricultor, no diminuto terreno que meu pai deixou como herança. Na idade de 12 anos eu frequentei uma escola lá mesmo no campo, onde vivia e onde ainda estou vivendo. Nesta escola o professor era muito atrasado, embora muito bom, muito cuidadoso, mas o coitado não conhecia nem sequer uma pontuação. Eu aprendi apenas a ler, sem ponto de português, sem vírgula, sem ponto, sem nada, mas como sempre a minha maior distração foi a poesia e a leitura, quando eu tinha tempo, chegava da roça, ao meio-dia ou ler à noite, a minha distração era ler, ler e ouvir outro para mim, o meu irmão mais velho, José [...]” (Assaré, 2012, p. 9).
A experiência narrada por Patativa evidencia tensões históricas que atravessam a educação do campo no Brasil, marcadas pela escassez de recursos, pela formação insuficiente de docentes, pelas condições materiais de vida e pelas mediações entre religiosidade, cultura oral e saber formal. À luz dos debates contemporâneos sobre desigualdades educacionais e políticas públicas, uma abordagem historicamente consistente acerca da formação continuada de professores e do investimento na educação do campo se aproxima de: