Antigamente - talvez ate bem pouco tempo atrás - ainda se pensava que um indivíduo culto um professor de língua por exemplo não poderia expressar-se utilizando-se, por exemplo. de um vocábulo gírio por ser o índice de um registro linguístico popular, incompatível com um falante culto. E há pessoas que, ainda hoje, são suficientemente tolas para afirmarem que "têm medo de falar errado" na presença de um professor de Português como se este devesse ser permanentemente um falante formal uma "gramática ambulante". A aceitarmos tal absurdo teríamos que aceitar também que os falantes cultos seriam os interlocutores mais desagradáveis na conversação pela perda da naturalidade de fala, elemento básico para o bom andamento da interação verbal.
A própria sala de aula deve dar ao professor a possibilidade de variação de diálogo de uso dos recursos variados da língua, do coloquial ao culto sem com isso abdicar de sua condição educativa Devemos ensinar aos alunos que o falante culto é exatamente aquele que dispõe da consciência da prática da variação da linguagem e de sua adequação as diversas situações de interação. São estas que explicam a presença de estruturas em desacordo com o nível de escolaridade do falante com seu ideal linguístico. em situações de menor formalidade O falante culto deve ser um poliglota da própria língua·[ ... ]. Um bom professor de Português, portanto. tem obrigação de conscientizar seus alunos sobre as variações de língua oral sob pena de incorrer no erro de um conhecido gramático que explicava. na televisão, que corrigira um jovem que respondera a uma sua pergunta com a expressão fiz e'e chorar" dizendo-lhe que o certo seria dizer "fi-lo chorar". Sem dúvida dois "erros·, mas talvez o segundo mais grave porque a construção sugerida está fora da língua falada em qualquer nível de conversação e indica hoje, na língua do Brasil um anacronismo absolutamente intolerável. muito embora seja uma estrutura sancionada pela gramática tradicional. Enfim. a construção ideal... para colocar o falante em ridículo.
[PRETI D1rio. Mas afina como falam (ou deveriam falar) as pessoas cultas? ln PRETI, Dino. Estudos de língua Oral e Escrita. Rio de Janeiro: Lucerna. 2004.J
Assinale a alternativa em que a redação está de acordo com a norma culta.