TEXTO 1
JORNAL E CIDADANIA.
Dentre os meios diários de informação – o rádio, a televisão e a Internet – o jornal, com quase quatro séculos de existência, é o mais antigo. (...) Diariamente, no mundo todo, bilhões de pessoas se debruçam sobre os jornais em busca de informações sobre os mais variados assuntos: política, economia, negócios, educação, artes, esporte, lazer ...
A primeira qualidade do jornal é a rapidez da informação. Ele nos traz hoje o que aconteceu ontem. Ele só perde para os meios eletrônicos que transmitem notícias ao vivo. Mas a rapidez do jornal é também um de seus pontos vulneráveis. Como é preciso “fechar” a edição numa determinada hora, (...) ocorre o perigo de ficarem assuntos por aprofundar, falhas de redação, informações incorretas etc.
Mas não é só isso. Como os jornais têm considerável influência sobre a formação cultural e política da sociedade, um bom leitor deve conhecer não só as qualidades, como também os perigos que eles podem oferecer. Em primeiro lugar, há jornal e jornal. Antes de passar a ler um, é preciso saber quais são as suas tendências, seus interesses, sua linha editorial. A primeira característica de um bom jornal é o compromisso com as reais necessidades dos leitores. (...) É preciso ler os jornais com espírito crítico. Eles sofrem pressão de grupos poderosos, nada interessados em cidadania ou democracia. Além disso, muitas vezes os jornais informam não aquilo que interessa ao povo, mas aquilo que uma parcela do povo quer saber. Nesse caso, são os leitores que pressionam o jornal.
Os correspondentes estrangeiros, por exemplo, costumam transmitir daqui principalmente assuntos exóticos, como o carnaval, e cenas de nossa miséria cotidiana, porque é isso que interessa a seus leitores. Apesar disso, não devemos ignorar os méritos da imprensa escrita em favor de grandes causas nacionais, campanhas cívicas, denúncias, serviços essenciais e, sobretudo, sua função de vigilante da democracia e da verdade. Os jornais dependem dos leitores. Sem estes não há aqueles. Mais: quanto mais conscientes forem seus leitores, melhores serão. Eles são o espelho do país. Refletem o que somos como povo. Só teremos jornais livres e fortes, quando formos fortes e livres. Um alimenta o outro.
(Avelino Antônio Correa)
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