Os Sertões chegou às livrarias em 2 de dezembro de 1902. Escrito ao longo de quatro anos, Euclides ainda trabalhou duro antes do lançamento do livro. Passou dias e noites na tipografia, sob os olhares surpresos dos impressores, para corrigir os cerca de oitenta erros que encontrou nos 2.000 exemplares já impressos. Foram ao todo quase 160 mil emendas, feitas a bico de pena e a ponta de canivete. Pagou do próprio bolso os custos da edição, que saiu pela Laemmert, do Rio de Janeiro, tendo contribuído com a quantia de um conto e 500 mil réis, mais ou menos o dobro do seu salário de engenheiro. Isso depois de apresentar ao editor Gustavo Massow uma carta do escritor Lúcio de Mendonça, que recomendava o livro, e de ter sido apoiado pelo influente crítico José Veríssimo.
Temendo a reação dos críticos e dos militares, tomou o trem para Lorena, no interior de São Paulo, onde trabalhava como engenheiro. Chegou à cidade à meia-noite e logo partiu a cavalo, às 3 horas da manhã. Vagou por alguns dias pelos sertões paulistas, até parar em Taubaté. De lá pegaria o expresso para Lorena. No restaurante da estação, viu um passageiro com Os Sertões nas mãos.
De volta a Lorena, recebeu duas cartas de seu editor. Leu antes a mais recente, em que este enviava recortes de jornais e falava do fulminante sucesso do livro. Mais da metade da edição, quase mil exemplares, tinha sido vendida em oito dias. Na primeira carta, o editor se dizia arrependido com a publicação. Não tinha conseguido vender nenhum dos exemplares, nem mesmo para os sebos...
Idem, ibidem, p. 172 (com adaptações).
A partir das características do texto III, julgue o item que se segue.
O emprego do imperfeito do indicativo em “trabalhava” tem o efeito semântico de informar que Euclides perdeu o emprego.