“O novo não é o caráter mercantil da obra de arte, mas o fato de que, hoje, ele se declara deliberadamente como tal, e é o fato de que a arte renega sua própria autonomia, incluindo-se orgulhosamente entre os bens de consumo, que lhe confere o encanto de novidade. A arte como um domínio separado só foi possível, em todos os tempos, como arte burguesa. Até mesmo sua liberdade, entendida como negação da finalidade social, tal como esta se impõe através do mercado, permanece essencialmente ligada ao pressuposto da economia de mercado. As puras obras de arte, que negam o caráter mercantil da sociedade pelo simples fato de seguirem sua própria lei, sempre foram, ao mesmo tempo, mercadorias: até o século dezoito, a proteção dos patronos preservava os artistas do mercado, mas, em compensação, eles ficavam nesta mesma medida submetidos a seus patronos e aos objetivos destes”.
(ADORNO, T. e HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. p. 147.)
Sobre esse tema, considere as seguintes afirmativas:
1. Nesse trecho, os autores defendem que arte sempre foi objeto de compra e venda. Portanto, não há nenhuma mudança com o surgimento da indústria cultural no século XX.
2. Os autores focam sua análise na arte, mas o fenômeno é muito mais amplo. O jornalismo e os meios de comunicação também sofrem o mesmo processo de perda da autonomia via mercantilização.
3. Até o surgimento da indústria cultural, a arte era dotada de autonomia. Tal autonomia, conforme o texto, alcançou seu apogeu com a arte burguesa.
4. Adorno e Horkheimer são defensores da separação de dois campos: o da arte e o do mercado. A arte pode ser comercializada, mas sua lógica de produção não pode ser esta, em respeito à sua autonomia formal.
Assinale a alternativa correta.