Texto I
A gripe espanhola: uma doença com muitos nomes (fragmento)
Há quem diga que se pode avaliar a importância de uma doença pela quantidade de nomes que ela recebe. É o caso da gripe espanhola, que impingiu um verdadeiro flagelo mundial, de 1918 até o início de 1920. A moléstia foi chamada também de “bailarina” – porque dançava e se disseminava em larga escala, e porque o vírus deslizava com facilidade para o interior das células do hospedeiro e se alterava ao longo do tempo e nos vários lugares em que incidia -, de “gripe pneumônica”, “peste pneumônica”, “grande influenza”, ou, simplesmente, de “espanhola”. Foi ainda alcunhada, mais popularmente, de “praga”, numa referência bíblica ao episódio em que Moisés teria conjurado uma série de maldições contra os egípcios. E não faltou quem a denominasse apenas de “peste”, o nome que se dava desde a Antiguidade às doenças epidêmicas de origem desconhecida no momento de sua eclosão e que, nesses contextos dramáticos, viraram, de pronto, sinal de “fim de mundo”, uma resposta divina aos descaminhos da humanidade.
(SCHWARCZ, Lilia Moritz. A bailarina da morte: a gripe
espanhola no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020, p.25-6)
O verbo “impingiu”, presente no texto, não é empregado com tanta frequência na linguagem cotidiana. No entanto, em função do contexto, pode-se inferir que seu significado corresponde a: