Texto 1
Tão delicados (mais que(b) um(a) arbusto) e correm e correm de um(a) para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente, falta-lhes não sei que(b) atributo essencial, posto se(c) apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, até sinistros.
Coitados, dir-se(c)-ia não escutam nem o canto do ar nem os(e) segredos do feno, como também parecem não enxergar o que é visível e comum a(d) cada um de nós, no espaço. E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade. Toda expressão deles mora nos olhos – e perde-se a um simples baixar de cílios, a uma sombra. Nada nos pêlos, nos extremos de inconcebível fragilidade, e como neles há pouca montanha, e que secura e que reentrâncias e que impossibilidade de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias. Têm, talvez, certa graça melancólica (um minuto) e com isto se fazem perdoar a(d) agitação incômoda e o translúcido vazio interior que os(e) torna tão pobres e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme (que sabemos nós?), sons que se despedaçam e tombam no campo como pedras aflitas e queimam a erva e a água, e difícil, depois disto, é ruminarmos nossa verdade.
(Carlos Drummond de Andrade, Um boi vê os homens,
Claro Enigma).
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