Em 1986, a grande verdade revelada pelo eleitor- personagem foi a repulsa à inflação, que a elite brasileira usualmente interpretava como um mal menor, a ser escamoteado ou escondido. Nesse processo, o PMDB e José Sarney foram os grandes beneficiados. Em 1989, foi a vez de radicalizar a vontade de mudança contra o imobilismo político, protegido pelo discurso cômodo mas inodoro da redemocratização. Aí surgiu Collor, com o seu caratê e o seu ippon. Em 1992, o eleitorado decidiu declarar guerra à corrupção, o que ajudou a apressar o impeachment do presidente, mas começou a afirmar também a sua vontade de escolher bons administradores para sua cidade. Em 1994, nas eleições presidenciais, o voto a Fernando Henrique foi canalizado contra a inflação, mostrando que, se as elites políticas tradicionais, inclusive os partidos de esquerda, coexistiam confortavelmente com ela, o povo abertamente a condenava.
Aspásia Camargo. A eleição como metáfora.
In: Política democrática. Brasília, ano 1, out.-dez./2000, p. 40-1 (com adaptações).
Com o auxílio do texto VIII e tendo em vista a evolução histórica do Brasil contemporâneo, julgue o item abaixo.
Ao falar em “seu caratê e seu ippon”, referindo-se a Fernando Collor de Melo, a autora sintetiza o voluntarismo e a permanente utilização de lances de marketing que caracterizaram seu governo, cujo final foi abreviado ante a contundência das denúncias de corrupção que o atingiram.