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Leia o texto, para responder às questões de números 51 a 56.
“No meu tempo a educação era muito melhor!”
Quantas vezes ouvimos a frase do título, quase sempre de pessoas mais velhas, exaltando a qualidade do ensino que receberam em escolas públicas? Vejam outra afirmativa consagrada: “Nossa educação está cada vez pior!”.
Serão corretas? Provavelmente a primeira está equivocada. A segunda, com certeza.
Hoje medimos com aceitável segurança o nível de domínio dos currículos oficiais pelos alunos. Mas, antes da década de 1990, nada sabíamos. Sendo assim, comparações confiáveis estão fora de cogitação para datas anteriores.
Mas podemos fazer conjecturas. Quando aquele provecto senhor nos diz que, “naquele tempo”, a escola era melhor, está comparando gente de classes sociais diferentes. Se estudou por volta da metade do século passado, duas coisas são altamente prováveis. Primeiro, trata-se de um cavalheiro (ou dama) de classe média para cima, já que poucos de origem mais modesta frequentavam as escolas. Segundo, sua professora seria também de classe média, pois o magistério era, praticamente, a única profissão socialmente aceita para mulheres de famílias tradicionais.
Mas hoje as escolas públicas têm maioria de alunos e professores de origem muito mais modesta. Que fique claro, foi um enorme ganho. De fato, nos níveis iniciais, quase toda a coorte está na escola.
E será que a nossa educação pública “está cada vez pior”? Aqui pisamos em terreno muito mais firme. Temos bons testes, desde a década de 1990. Passaram a ser comparáveis de uma data para outra, a partir da virada do milênio. Ou seja, não se trata de “achar” isto ou aquilo. A resposta é simples, definitiva e está nas séries históricas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil. E, de lambuja, temos o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), respaldado pela melhor tradição em avaliação escolar existente.
Os resultados estão aí. Como grande generalização, não houve qualquer queda apreciável nos escores. Segundo a Prova Brasil, cresceu nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, quase nada; e o ensino médio ficou estagnado por longo tempo. A boa notícia é que, na última Prova Brasil (antes da pandemia), finalmente, o médio acordou e deu um saltinho. O Pisa mostrou crescimento, em certos períodos, até bem maior do que no resto do mundo. Mas foram seguidos de estagnação. Em suma, nada deu marcha à ré.
O grande mistério é saber de onde vem a ideia de que está tudo piorando.
Nossa educação é, aproximadamente, a que se poderia esperar da nossa renda per capita. Ou seja, países no mesmo nível de desenvolvimento do Brasil não estão longe de nós.
Dito isso, agora vem a notícia ruim. Embora nossa educação não tenha piorado, sempre foi e continua sendo muito ruim. Diante de um aluno europeu, os nossos têm quatro anos de atraso!
Precisamos e queremos melhorar. Mas, para que isso aconteça, devemos ter clareza acerca dos fatos. Acreditar que o ensino piorou leva a diagnósticos equivocados e a um pessimismo tóxico. Leva-nos a buscar explicações presentes para mazelas que vêm do passado, às vezes remoto. O rumo certo é louvar os avanços, entender por que melhorou tão pouco e descobrir o que fazer para remediar a situação.
(Claudio de Moura Castro. O Estado de S.Paulo, 04-09-2022. Adaptado)
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