INSTRUÇÃO: Leia os excertos de José de Alencar e responda a questão abaixo.
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
(ALENCAR, José. Iracema. São Paulo: Ática, 1985.)
Este livro é irmão de Iracema. Chamei-lhe de lenda como o outro. Nenhum título responde melhor pela propriedade, como pela modéstia, às tradições de pátria indígena. Quem por desfastio percorrer estas páginas, se não tiver estudado com alma brasileira o berço da nossa nacionalidade, há de estranhar em outras coisas a magnanimidade que ressumbra no drama selvagem a formar-lhe o vigoroso relevo. Como admitir que bárbaros, quais nos pintaram os indígenas, brutos e canibais, antes feras que homens, fossem suscetíveis desses brios nativos que realçam a dignidade do rei da criação?
(ALENCAR, José de. Ubirajara. São Paulo: Martins Fontes, 2003, Prólogo.)
A respeito da linguagem de Iracema, marque a afirmativa correta.