O museu e a história
No dia 7 de setembro, o Museu do Ipiranga abriu, simbolicamente, para os operários que trabalharam na obra de restauro e para 200 alunos de escolas públicas.
Infelizmente, parcelas da população dita instruída não gostam de visitar nossos museus e só o fazem em viagens internacionais. Não consideram um programa interessante levar seus filhos para que conheçam nossas obras de arte e registros históricos; essa seria uma tarefa da escola, não um momento de lazer da família. Como tampouco seria lazer ler bons livros e comentá-los com as crianças.
Com isso, certa repugnância pela cultura vem passando de geração em geração. Mas isso vem mudando: os ingressos do novo espaço cultural já estão esgotados e há anos a visitação dos museus vem aumentando.
No entanto, neste momento, devemos não só celebrar, mas também refletir sobre uma historiografia oficial que desconsidera equívocos e até crimes que cometemos, como o tráfico e a escravização de africanos.
Em vez de fugir desses temas, os museus, como os bons livros de história, nos interrogam sobre o passado, sobre o que pode ter movido quem nos precedeu, sobre erros — ou até crimes — e nos levam a buscar evitar sua repetição. Mas, para isso, é importante que os museus, assim como livros que revisitam nossa história, nos forneçam chaves para uma releitura profícua.
Afinal, os museus não são meros depósitos de objetos valiosos, eles nos permitem exercer uma habilidade profundamente humana, a de refletir sobre nossa trajetória no planeta, admirando obras de arte ou por elas sentindo-nos instigados, pensando também em quem nossa história oficial excluiu, em suma, exercendo o pensamento crítico, tão em falta nos tempos em que vivemos.
(Claudia Costin. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudia-costin/2022/09/o-museu-e-a-historia.shtml Publicado em 08.09.2022. Adaptado)
A expressão “com isso”, empregada no terceiro parágrafo, refere-se