Só haverá inteligência artificial quando ela tiver falhas humanas
Por Fábio Marton
Que imagem surge em sua cabeça ao ouvir a expressão “inteligência artificial”? Provavelmente uma coisa incorpórea, um software, respondendo por meio de algum aplicativo ou de um “assistente pessoal”. Se você tivesse feito essa pergunta para alguém há 30 anos, provavelmente a resposta seria bem diferente. O que viria à mente das pessoas seria um robô físico, que imita um ser humano, um androide, como os replicantes de Blade Runner, o pequeno David, protagonista de Inteligência Artificial, ou, mais recentemente, os anfitriões de Westworld. São entidades que têm consciência plena e medo de morrer, exatamente como uma entidade viva.
O irônico é que, bem agora que a inteligência artificial chega aos celulares e às caixinhas de som, a hipótese de que a verdadeira inteligência artificial precisa ter características humanas volta à tona na ciência de verdade. Pelo menos é o que propuseram dois neurocientistas bastante reconhecidos: o português António Damásio e seu colega americano Kingson Man, da Universidade do Sul da Califórnia. Em novembro de 2019, a dupla publicou um artigo científico chamado “Homeostase e robótica flexível no desenho de máquinas sensíveis”.
A ideia ali é a seguinte: a verdadeira “inteligência artificial”, ou seja, uma inteligência de verdade, com capacidade de aprendizado comparada à nossa, só pode surgir com uma condição: se os desenvolvedores simularem os mecanismos que regem a própria vida. Em suma: só uma máquina com medo de morrer e capaz de sentir afeto (como você, um golfinho ou um cão) seria capaz de desenvolver inteligência para valer. “Existe uma conexão profunda entre vida e inteligência”, afirma Man. “Não acho que faz sentido falar sobre inteligência, tanto faz se natural ou artificial, sem considerar seu papel em manter a vida”, completa.
A mente humana não foi planejada. Ela é fruto da seleção natural, começando pelas primeiras moléculas orgânicas, passando por protozoários, peixes, répteis terrestres… E com os mamíferos aterrissando aqui depois de mais de 3 bilhões de anos após o início da vida no planeta. Em todas essas fases, a vida desenvolveu algum tipo de inteligência, sempre com um único propósito: ajudá-la a sobreviver e se reproduzir. Isso é a tal “homeostase” à qual o título do estudo se refere: o estado de equilíbrio físico-químico que permite à vida existir e que, por isso, a vida sempre busca manter.
(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/so-havera-inteligencia-artificial-quando-ela-tiver-falhashumanas - texto adaptado especialmente para esta prova.)
A respeito do texto, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Mantém-se a correção e o sentido do texto ao se substituir “há 30 anos” por “30 anos atrás”; no entanto, seria incorreto preservar o verbo haver e acrescentar o advérbio “atrás” (ficando “há 30 anos atrás”).
( ) O segmento “O que” é constituído de dois pronomes – um demonstrativo e um relativo – e funciona como sujeito de “viria”.
( ) Os termos “entidades” e “a dupla” são anafóricos; o primeiro retoma “androide”, “o pequeno David” e “os anfitriões de Westworld”; o segundo retoma “o português António Damásio e seu colega americano Kingson Man”.
( ) Depreende-se do texto que “você, um golfinho ou um cão” são seres que temem morrer e são capazes de sentir afeto.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: