Texto para as questões de 1 a 4
A águia e a coruja
1 Coruja e águia, depois de muita briga, resolveram
fazer as pazes.
— Basta de guerra, disse a coruja. O mundo é tão
4 grande, e tolice maior que o mundo é andarmos a comer os
filhotes uma da outra.
— Perfeitamente — respondeu a águia. — Também eu
7 não quero outra coisa.
— Nesse caso combinemos isto: de ora em diante não
comerás nunca os meus filhotes.
10 — Muito bem. Mas como posso distinguir os teus
filhotes?
— Coisa fácil. Sempre que encontrares uns borrachos
13 lindos, bem feitinhos de corpo, alegres, cheios de uma graça
especial que não existe em nenhum outro filhote de nenhuma
outra ave, já sabes, são os meus.
16 — Está feito! concluiu a águia.
Dias depois, andando à caça, a águia encontrou um
ninho com três monstrengos dentro, que piavam de bico muito
19 aberto.
— Horríveis bichos! — disse ela. Vê-se logo que não
são os filhos da coruja.
22 E comeu-os.
Mas eram os filhos da coruja. Ao regressar à toca a
triste mãe chorou amargamente o desastre e foi justar contas
25 com a rainha das aves.
— Quê? — disse esta, admirada. Eram teus filhos
aqueles monstrenguinhos? Pois olha, não se pareciam nada
28 com o retrato que deles me fizeste...
Para retrato de filho ninguém acredite em pintor pai.
Lá diz o ditado: quem o feio ama, bonito lhe parece.
Monteiro Lobato. Fábulas. São Paulo: Brasiliense, 1972, p. 10-11.
Quanto à classificação e ao emprego das palavras no texto, assinale a opção correta.