Quando o noticiário inicia, somos endereçados por um locutor que olha diretamente para a câmera e apresenta os “fatos”. Cada espectador é colocado no papel de destinatário direto. O locutor introduz uma entrevista filmada. Nossa posição muda. Não somos mais endereçados diretamente, mas espiamos, vemos e julgamos. As diferentes posições nos asseguram que alguns aspectos da experiência devem ser aceitos (fatos), enquanto outros (opiniões) exigem nosso julgamento. A distinção jornalística, altamente questionável, entre fato e opinião está embutida nas maneiras pelas quais somos posicionados em relação a diferentes aspectos da experiência.
O que se está sugerindo é que, para compreender os filmes ou programas de TV, o espectador deve ser capaz de adotar — nem que seja apenas imaginária e temporariamente — os interesses sociais, políticos e econômicos que são as condições para o conhecimento que eles constroem.
Assim, parte da experiência e da relação de um garoto de 12 anos com um filme como Jurassic Park não é apenas uma resposta ao seu estilo e à sua história, mas também uma resposta às formas pelas quais a estrutura de endereçamento solicita ou, até mesmo, exige dele uma certa leitura.
Elizabeth Ellsworth. Modo de endereçamento: uma coisa
de cinema; uma coisa de educação também. In: Tomaz Tadeu da Silva (Org.). Nunca fomos humanos. Belo Horizonte: Autêntica, 2001, p. 18-9 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue o item.
No terceiro parágrafo, apesar de se valer de um exemplo relacionado a texto ficcional, a autora retoma o julgamento de que é questionável a distinção jornalística entre fato e opinião, expresso no último período do primeiro parágrafo.
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