TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
Analise as afirmativas feitas em relação à composição e interpretação do texto II.
I. O texto pode ser dividido em duas partes: a primeira representa dúvidas do homem moderno em relação a si mesmo. A segunda, a sua impotência para respondê-las, que o leva a um comportamento subalterno marcado pela ladainha em louvor à máquina.
II. A máquina é criticamente equiparada a um deus, já que é capaz de fazer tudo para e pelo homem, e, dessa forma, é reverenciada através de uma oração, como se fosse uma divindade.
III. O texto é marcado por uma contraposição entre homem e máquina, tendo esta a supremacia sobre aquele, tanto que o faz desprezar-se a si mesmo e a orar para ela.
IV. A terceira estrofe do poema é construída por meio de uma gradação que representa as atividades humanas substituídas pela máquina, desde as mais simples até as mais apuradas.
Estão corretas as afirmativas