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2524540 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: RHS Consult
Orgão: Câm. Cerquilho-SP
Leia a letra da música “Cálice”, de Chico Buarque e Gilberto Gil, e o trecho do artigo publicado sobre a mesma canção para responder a questão.
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
Afasta de mim esse cálice!
Chico Buarque e a censura no Brasil pós 1964
Sabemos que Chico ao longo de sua carreira e através de suas canções, insatisfeito com a realidade do Brasil, procurou denunciar as desigualdades sociais e as injustiças vividas pela sociedade brasileira da época, compondo músicas de protesto, para alertar as pessoas mais atentas. Porém, sempre era necessário encaminhar suas canções à censura para que fossem aprovadas, em razão de suas composições sempre serem vetadas.
Cálice é uma canção com muitas metáforas, a partir das quais Chico Buarque e Gilberto Gil contam sobre a situação em que a sociedade vivia durante a ditadura militar. Na canção expressam o desejo de se livrar das desigualdades sociais no Brasil. Eles ainda abordam a questão do envolvimento de políticos com as mortes ocorridas nesse período, e denunciam os métodos de tortura e repressão aos quais eram submetidas as vítimas a fim de silenciá-las, uma vez que reagiam contra as imposições feitas pelo governo Militar.
Chico se viu obrigado a recorrer a tudo que fosse preciso, para ludibriar a censura, inclusive a pseudônimos, como Julinho da Adelaide e Leonel Paiva, [...] além de compor músicas com duplo sentido, pois assim seria mais fácil passar pela censura e ter a aprovação das canções.
(Adaptado de: AMARAL, Roberto Antonio Penedo. SOUSA, Nalva Lopes de. Afasta de mim esse cálice! Chico Buarque e a censura no Brasil pós 1964. Revista vozes dos Vales, MG. Nº02, 2012.)
As vozes não caladas na canção Cálice - uma perspectiva bakhtiniana
Os primeiros versos da letra, “Pai, afasta de mim esse cálice/De vinho tinto de sangue”, e que também voltam como refrão, apresentam uma outra voz, representada pela igreja Católica, com uma analogia entre a Paixão de Cristo e o drama vivenciado pela população. Esses versos poderiam fazer referência à agonia de Jesus no calvário [...]. Somente nesses versos, é possível identificar a voz dos autores, a voz da igreja Católica e a voz do povo, numa tentativa de enfrentar e calar as vozes do regime. Um cálice deve armazenar algo em seu interior, mas se considerarmos os textos bíblicos, o conteúdo será o próprio sangue de Cristo.
(OLIVEIRA, F. K. As vozes não caladas na canção Cálice - uma perspectiva bakhtiniana. X Semana de Extensão, Pesquisa e Pós-graduação SEPesq – 20 a 24 de outubro de 2014).
Do trecho que diz Outra realidade menos morta, é possível compreender que:
 

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