Sua excelência, o leitor
"Os livros vivem fechados, capa contra capa, esmagados na estante, às vezes durante décadas - é preciso arrancá-los de lá e abri-los para ver o que têm dentro. [...] Já o jornal são folhas escancaradas ao mundo, que gritam para ser lidas desde a primeira página. As mãos do texto puxam o leitor pelo colarinho em cada linha, porque tudo é feito diretamente para ele. O jornal do dia sabe que tem vida curta e ofegante e depende desse arisco, indócil, que segura as páginas amassando-as, dobrando-as, às vezes indiferente, passando adiante, largando no chão cadernos inteiros, às vezes recortando com a tesoura alguma coisa que o agrada ou o anúncio classificado. Súbito diz em voz alta, ao ler uma notícia grave, "Que absurdo!", como quem conversa. O jornal se retalha entre dois, três, quatro leitores, cada um com um caderno, já de olho no outro, enquanto bebem café. Nas salas de espera, o jornal é cruelmente dilacerado. Ao contrário do escritor, que se esconde, o cronista vive numa agitada reunião social entre textos - todos falam em voz alta ao mesmo tempo, disputam ávidos o olhar do leitor, que logo vira a página, e silenciamos no papel. Renascemos amanhã". (Cristovão Tezza)
Disponível em: <http://revistalingua.uol.com.br/textos/98/artigo302588-1.asp>
Acesso em: 27/03/2014.
Em relação às ideias construídas no texto de Cristovão Tezza, são feita as seguintes afirmativas:
I. O autor realiza uma comparação entre a leitura em dois suportes de circulação - o livro e o jornal - e, assim, entre o escritor e o cronista.
II. Segundo o autor, a leitura do jornal, por suas características, é mais importante na vida do leitor do que a do livro.
III. O autor utiliza recursos linguísticos como a personificação e o exagero para atrair a atenção do leitor.
IV. O autor descreve o leitor de jornal como arisco e indócil, alguém que modifica e fragmenta o objeto que tem em mãos.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)