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1091594 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FEPESE
Orgão: SEA SC
Texto
É mais grave repetir ideias do que palavras
Chico Viana
Os professores de redação geralmente orientam os alunos a não repetir palavras. A repetição denota pobreza vocabular e torna o texto monótono. Vai de encontro à própria natureza da prosa, que se caracteriza pela progressão diversificada do pensamento.
Um de meus alunos levou muito a sério essa recomendação. Tanto que escreveu num texto sobre a diferença na forma como os pais de duas diferentes culturas educam os filhos: “Enquanto nos países latinos os procedentes são tratados com excesso de amor, nos escandinavos eles são tratados apenas com respeito.”
O estudante não quis repetir “filhos” e substituiu essa palavra por outra que lhe pareceu adequada. Talvez tenha ido ao dicionário e se deparado com este sentido de “procedente”: “que descende de”, “descendente”. Só que esse vocábulo é um adjetivo, e não um substantivo. Além do mais, não constitui um equivalente semântico para “filhos”. Na melhor das hipóteses funcionaria como um substituto precioso, pouco natural.
O ideal é que o redator tenha um repertório vocabular que lhe permita variar as palavras. Na falta disso, é melhor repetir do que tornar obscura a mensagem. Autran Dourado escreve, em Meu mestre imaginário, que “não repetir palavras é uma bobagem muito grande”. O que ele diz se aplica sobretudo à prosa literária, na qual a repetição tem valor estilístico, mas vale também para os gêneros em que a maior preocupação é argumentar.
Nesses últimos, por sinal, mais grave do que repetir palavras é repetir ideias. A recorrência de conceitos, propostas, informações tende a fazer o texto circular em torno de um mesmo ponto. Sugere que a redação foi mal pensada e que o autor não elaborou um esquema que o conduzisse da introdução à conclusão.
É possível, mesmo repetindo palavras, fazer avançar o raciocínio e defender com sucesso um ponto de vista. O que não se pode é apresentar com rigor e clareza a opinião num texto truncado, em que a falta do que dizer traduz-se em insuficiência argumentativa.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/blog-ponta/
e-mais-grave-repetir-ideias-do-que-palavras-293815-1.asp
Acesso em: 18/08/2013.
Analise as afirmativas abaixo, considerando o texto.
1. A construção sublinhada em “Vai de encontro à própria natureza da prosa” (1º parágrafo) poderia ser substituída por “Vai ao encontro da”, sem alteração do sentido da frase.
2. Em “mais grave do que repetir palavras é repetir ideias” (5º parágrafo), temos uma construção alternativa à do título para comparar palavras e ideias quanto à gravidade da repetição.
3. As palavras “vocábulo”, “semântico” e “hipóteses” (3º parágrafo) seguem a mesma regra de acentuação gráfica: são proparoxítonas.
4. Em “Os professores de redação geralmente orientam os alunos”, se o termo sublinhado fosse substituído pelo pronome oblíquo “os”, a construção correta resultante seria orientam-nos.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
 

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