Texto 2 - Escolas esvaziadas - Questões 8 a 10
Um terço das salas de aula das escolas da rede estadual de ensino não estão sendo usadas. Dessas sete mil salas, 4,5 mil são de escolas de ensino médio, incluindo as melhores do Pará. A lotação é praticamente completa no horário matutino, cai bastante à tarde e fica ainda mais ociosa à noite. Essa queda acentuada – e alarmante – se deve tanto à perda de qualidade no ensino público quanto às constantes paralisações, principalmente por greve de professores e funcionários (e, às vezes, de alunos), à evasão provocada pela necessidade precoce de trabalhar e pela insegurança, em especial no turno da noite. Mesmo sendo definitiva, essa tendência pode não ser apenas negativa. No momento em que o governo expande a jornada integral nas escolas, a falta de alunos pode ser um elemento favorável para a implantação da escola de tempo integral, com entrada do aluno pelo início da manhã e saída no final da tarde. A convivência entre os dois regimes, o normal e o integral, não seria conflituosa. Mas essa vantagem só poderá ser aproveitada se as escolas públicas apresentarem qualidade muito melhor do que a atual, eliminando a causa principal do encolhimento do seu mercado. (...) O problema é que o governo dá mais atenção às instalações físicas do que aos componentes pedagógicos e humanos do ensino. Se conseguisse sair da bitola viciada de construir novas escolas (muitas delas com sua locação definida por critérios políticos), reformar salas de aula, comprar carteiras e livros, sem dar a atenção devida à atividade de ensino, poderia aproveitar o esvaziamento das suas unidades para retomar uma política educacional humanista e séria. Do contrário, o panorama continuará a ser negativo.
Disponível em: <https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2015/09/22/escolas-esvaziadas/>. Acesso em: 10 out. 2015.
Para Lucio Flávio Pinto, NÃO é causa de evasão nas escolas públicas a