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3125234 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UNEB
Orgão: CBM-BA
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Tanto de meu estado me acho incerto,

que em vivo ardor tremendo estou de frio;

sem causa, juntamente choro e rio,

o mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;

da alma um fogo me sai, da vista um rio;

agora espero, agora desconfio,

agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando,

num'hora acho mil anos, e é de jeito

que em mil anos não posso achar um' hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,

respondo que não sei; porém suspeito

que só porque vos vi, minha Senhora.

CAMÕES, Luís de. Sonetos e outras rimas. São Paulo: FTD, 1998, p. 22.

O poema destacado da autoria de Camões, poeta português do século XVI, se tornou conhecido por toda Europa e, posteriormente, no Brasil-Colônia. Seus versos agradam até a contemporaneidade porque tratam, quase sempre, de um sentimento que toda a humanidade conhece: o amor.

Em relação ao poema têm comprovação, em seus versos, as afirmativas:

I. O estado de espírito do poeta revela-se ambíguo, com sentimentos contraditórios, que o deixa instável diante do mundo.

II. Ao afirmar que "da alma um fogo me sai, da vista um rio" (v.6), o poeta faz referência à instabilidade seu estado físico: ora sente calor, ora sente frio.

III. Na terceira estrofe, os versos: Estando em terra, chego ao Céu voando, / num'hora acho mil anos, e é de jeito / que em mil anos não posso achar um' hora" revelam perda da noção de tempo e de espaço, durante o dia, para o poeta.

IV. O poeta ignora o motivo de seu estado tão desequilibrado, deixando-o, cada vez, mais ansioso.

V. A cura dos males do poeta está subalternamente relacionada à vontade fora de si.

A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a

 

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