Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
num'hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um' hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
CAMÕES, Luís de. Sonetos e outras rimas. São Paulo: FTD, 1998, p. 22.
O poema destacado da autoria de Camões, poeta português do século XVI, se tornou conhecido por toda Europa e, posteriormente, no Brasil-Colônia. Seus versos agradam até a contemporaneidade porque tratam, quase sempre, de um sentimento que toda a humanidade conhece: o amor.
Em relação ao poema têm comprovação, em seus versos, as afirmativas:
I. O estado de espírito do poeta revela-se ambíguo, com sentimentos contraditórios, que o deixa instável diante do mundo.
II. Ao afirmar que "da alma um fogo me sai, da vista um rio" (v.6), o poeta faz referência à instabilidade seu estado físico: ora sente calor, ora sente frio.
III. Na terceira estrofe, os versos: Estando em terra, chego ao Céu voando, / num'hora acho mil anos, e é de jeito / que em mil anos não posso achar um' hora" revelam perda da noção de tempo e de espaço, durante o dia, para o poeta.
IV. O poeta ignora o motivo de seu estado tão desequilibrado, deixando-o, cada vez, mais ansioso.
V. A cura dos males do poeta está subalternamente relacionada à vontade fora de si.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a