Texto I.
A situação confusa e complexa dos habitantes do Brasil durante os dois primeiros séculos do período colonial propiciava aos que empunhavam a pena abordar, com firmeza e presunção, as questões relativas à identidade colonial da região, à hierarquia fidalga dos poderosos e à liderança político-econômica subalterna à metrópole. Identidade nacional, hierarquia social e liderança político-econômica iam sendo reconfiguradas e impostas pelos portugueses abrasileirados à medida que um projeto de nação, já no terceiro século colonial, começava a iluminar as cabeças mais revolucionárias, convencendo as elites (não tenhamos ilusões) e, indiretamente, a população das cidades de maior projeção econômica a dar o chute inicial no processo de expulsão do colonizador metropolitano, o português, ou qualquer outro povo invasor.
Nos casos levantados, a palavra escrita e os livros (tanto o descritivo, quanto o ensaístico e o ficcional) servirão como mecanismo de abordagem dos problemas, definição de categorias de análise e estabelecimento de valores sociais, políticos, econômicos e estéticos da nova terra e da sua gente.
Silviano Santiago. Introdução geral a intérpretes do Brasil. v. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XVI (com adaptações).
Texto II.
O livro nos permite sempre escapar de nosso contexto espaço-temporal imediato. Em nossos dias, a leitura pressupõe uma transcendência sui generis, ou seja, a que se dirige ao conjunto do gênero humano, em sua infinita variedade. O homem, que hoje é possuidor de várias identidades, aprende a ser judeu com Proust, católico com Greene, irlandês com Joyce, colombiano com García Márquez e, em cada um desses livros, pode fazer a aprendizagem da alteridade, identificando-se, sucessiva ou simultaneamente, com cada personagem.
Sérgio Paulo Rouanet. Do fim da cultura ao fim do livro. In: Eduardo Portella (org.). Reflexões sobre os caminhos do livro. São Paulo: UNESCO-Moderna, 2003, p.76-7 (com adaptações).
Texto III.
A cultura pode sobreviver, transformando-se em cultura universal. E o livro tem futuro, se renunciar a seu papel de instância formadora de identidades coletivas, homogênias, afim de transformar-se em um instrumento para a constituição de identidades múltiplas, segundo a lógica do processo de universalização.
Idem, ibidem (com adaptações).
Com base nos textos I, II e III, julgue o item a seguir.
No texto II, ao afirmar que o homem de hoje tem várias identidades e, no texto III, que o livro deve renunciar ao seu papel de instância formadora de identidades coletivas, o autor propugna que a tarefa exercida pela palavra escrita e pelo livro no período de consolidação da identidade nacional está entrando em declínio na era da cultura universal, que é vivida neste momento.