Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; ou não tenho o que fazer, e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave e aliás íntimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ática, 2002
No processo ficcional de Machado de Assis, há traços que podem ser considerados recorrentes para a constituição de sua dinâmica narrativa. Para exemplificar esses traços, o texto apresenta