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2885162 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: FUNCERN
Orgão: Pref. Baraúna-RN

AMAZÔNIA JÁ EMITE MAIS CARBONO DO QUE ABSORVE

Por Salvador Nogueira

A maior parte do oxigênio da atmosfera, entre 50% e 80%, vem dos oceanos, onde ele é produzido pelo plâncton marinho. Não da Amazônia. Mas a floresta absorvia uma quantidade importante de CO2, ajudando a regular a temperatura global. Porém, recentemente, veio a notícia: a Amazônia não cumpre mais esse papel e, em muitos lugares, sobretudo na borda sudeste da floresta, ela já emite mais CO2 do que absorve.

Essa é a conclusão de um estudo liderado pela pesquisadora Luciana Gatti, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e publicado na revista Nature. A equipe realizou 590 sobrevoos, medindo concentrações de CO2 e CO em quatro regiões da Amazônia, entre 2010 e 2018. E constatou que a floresta, ao menos em algumas regiões, já “virou o sinal” – de sorvedouro passou a ser emissora de carbono.

Em parte, não é difícil entender como isso acontece. A Amazônia inteira tem cerca de 123 bilhões de toneladas de carbono fixado em sua biomassa, no solo e no subsolo. Um jeito rápido de devolver tudo isso à atmosfera, de uma vez, é queimando. O desmatamento, portanto, cumpre um papel de destaque. Quando as árvores são derrubadas, a preparação do terreno para uso futuro (em geral para pasto ou agricultura) envolve queimar a área.

E o que deixa tudo mais preocupante é que as medições colhidas pelo grupo foram feitas entre 2010 e 2018, período em que o desmatamento não estava tão descontrolado quanto agora (naquela época, ele ficava ao redor de 7000 km2 anuais, antes de explodir para mais de 10000 km2 anuais em 2019 e 2020).

O clima também tem mudado, com alterações no regime de chuvas que estão tornando a região mais seca. A redução da umidade aumenta o risco de incêndios e leva as árvores a reduzir sua taxa de fotossíntese (isso quando sobrevivem). Ou seja, as mudanças climáticas também já estão pressionando a Amazônia a diminuir sua ação de sorvedouro de C02. Imagine quando medirmos o impacto da recente explosão no desmatamento e nas queimadas.

A esta altura, não é descabido pensar que a floresta pode ter cruzado “um ponto de não retorno”, em que mesmo sem intervenções adicionais ela siga encolhendo e se “savanizando”, como há muitos anos os climatologistas suspeitavam que pudesse acontecer. Interromper o ciclo de destruição será apenas o primeiro passo na proteção deste que é o bioma mais biodiverso do país – e uma peça essencial no controle do clima terrestre.

Superinteressante, out. de 2021.

A [1] redução da umidade aumenta o risco de incêndios e leva as [2] árvores a [3] reduzir sua taxa de fotossíntese.

Nas palavras em destaque, a ausência do sinal indicativo de crase se justifica

 

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