A vida muda como a cor dos frutos lentamente
e para sempre
A vida muda como a flor em fruto
velozmente
A vida muda como a água em folhas
o sonho em luz elétrica
a rosa desembrulha do carbono
o pássaro, da boca mas
quando for tempo
E é tempo todo tempo mas
não basta um século para fazer a pétala
que um só minuto faz
ou não
mas
a vida muda
a vida mudaE o morto em multidão
Ferreira Gullar. Toda poesia – Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000, p. 202.
Considerando o poema acima, escrito por Ferreira Gullar, e a amplitude do tema que ele aborda, julgue os itens a seguir.
A comparação entre o primeiro e o último versos permite subentender que a inserção da conjunção como depois de “muda” (v.19) preservaria os sentidos do verbo mudar e da oração correspondente ao último verso.