O escritor Kaká Wera resolveu testar uma nova forma de ensinar a cultura indígena nas escolas: afastar os professores dos livros e fazê-los vivenciar mitos, cantos e danças dos índios em um espaço que reproduz uma oca. O que o motivou a abrir a oca-escola foram os livros didáticos. “Percebi que tudo sobre o índio, nos livros, aparecia no passado. O índio fazia aquilo, gostava daquilo, usava aquele adereço” — era, para ele, como se já tivessem, com esse tempo verbal, colocado toda uma cultura no passado, como se ela não fizesse mais parte do país. Ele imagina que, pela experimentação, os significados dos mitos farão sentido no cotidiano dos professores. “É pelos mitos que se registra a sabedoria.” Essa sabedoria se mescla às danças e aos cantos.
Gilberto Dimenstein. O cidadão de papel. São Paulo: Ática, 2005, p. 113-4 (com adaptações).
Tendo o texto como referência inicial e considerando aspectos linguísticos, históricos e geográficos, julgue o item que se segue.
A criação do vocábulo composto “oca-escola” segue o mesmo processo de formação de palavras dos vocábulos guarda-roupa e pára-choque: substantivo + substantivo.