O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por que brasileiros estão buscando cidadania de
país africano de onde saíram milhões de
escravizados
Neto de uma mulher negra nascida na Bahia, o consultor
de vendas Clayton Muniz Filho, morador de São Paulo,
buscou conhecer suas origens, mas enfrentou uma
dificuldade comum entre descendentes de pessoas
escravizadas: a falta de registros sobre seus
antepassados.
Ao realizar um teste de DNA, descobriu que cerca de
30% de sua ancestralidade vem da região onde hoje se
localiza o Benin — país da África Ocidental de onde
partiram milhões de escravizados levados ao Brasil no
período colonial. Com o resultado, decidiu aproveitar a
oportunidade criada pelo governo beninense, que desde
2024 concede cidadania a afrodescendentes com raízes
na região.
A medida é vista como um gesto de reconciliação e
reparação histórica, mas também como uma forma de
atrair turismo, talentos e investimentos. Clayton aguarda
a resposta de seu pedido, que considera uma peça de
quebra-cabeça para reconstruir sua história familiar.
Entre os que já receberam o documento, estão a filósofa
brasileira Sueli Carneiro e a cantora americana Ciara.
Outras personalidades, como Lauryn Hill e o cineasta
Spike Lee, foram convidadas pelo governo do país a se
aproximar do projeto.
A lei permite que qualquer pessoa maior de dezoito
anos, sem outra cidadania africana, comprove
ancestralidade subsaariana ligada ao tráfico negreiro. O
processo é feito pela plataforma My Afro Origins,
mediante taxa de cem dólares, com duração de cerca de
três meses. Como muitos não possuem registros
históricos, o teste genético tornou-se o meio mais
acessível de comprovar origens.
Segundo o advogado Alessandro Vieira Braga, que
auxilia brasileiros nesse processo, as motivações são
mais simbólicas do que práticas — uma busca de
reconexão com as origens e valorização da identidade
afrodescendente.
O Benin, antigo Reino do Daomé, foi colônia francesa
até 1960 e tem se destacado por políticas de
reconciliação histórica e estímulo cultural. O atual
presidente, Patrice Talon, natural da cidade de Ouidah
— um dos principais portos de escravizados rumo às
Américas —, é um defensor do pan-africanismo e vem
promovendo a reaproximação entre África e suas
diásporas.
Em Salvador, o cônsul honorário do Benin, Marcelo
Sacramento, fortalece essa conexão por meio de
projetos como a Casa do Benin, símbolo do vínculo
histórico entre os dois países. O governo beninense planeja modernizar o espaço e criar uma rota aérea
direta entre Salvador ou São Paulo e Cotonou,
facilitando a integração cultural e turística.
O chef baiano João Diamante, que visitou o Benin e
descobriu que o acarajé brasileiro é uma variação do
akará africano, afirma ter vivido uma experiência de
reencontro com suas raízes. "Lá, percebi o quanto
nossas histórias estão conectadas. Só conseguimos
evoluir quando sabemos de onde viemos e quem
somos", diz.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3w963y4v6yo.adaptado.
De acordo com a análise sintática da frase, é correto afirmar que: