“Se, no passado, os museus e as exposições etnográficas foram engenhos dotados de dispositivos acrônicos, que visavam suprimir distâncias físicas e temporais, promovendo um encontro – lógico, integrador e tranquilizador – do seu público com o que lhe era díspar e diferente, os desafios da atualidade recomendam justamente enveredar pelo caminho inverso. É importante atentar não só para o contexto de produção dos objetos e imagens que compõem a etnografia, explicitando a relação colonial que frequentemente ali se expressa, como também para o resgate da polifonia, dando voz – e não apenas valor estético – aos membros daquelas coletividades (que, em geral, são apenas observadas pelo público e traduzidas pelos etnólogos)” (OLIVEIRA, J., 2007). Com relação aos jogos de força em torno das classificações e representações sobre os indígenas em museus etnográficos, pode-se afirmar que: