O texto abaixo é base para responder a questão 60.
Texto XIII
“Pensaste no sogro e nos cunhados que te esperavam. Estás empapado de crepúsculo, por dentro e por fora. Já é de noite. As noites sempre nascem dentro dos crepúsculos.
[...]. As sombras violetas se desfizeram no esterco de morcego da grande noite. A solidão se parece com a morte: região dos caminhos onde vagam os que já morreram e nos deixaram sós. Eles também estarão sós... A morte com seus caminhos de sombra. Os que sentem nos lábios e na língua o silêncio único e profundo da terra. Depois da existência ficam vagando nos lugares por onde se viveu, silenciosamente, as últimas palavras dos que viveram. Depois da existência: quando a lua deixa voarem as borboletas de cinza brumosa... E olhaste devagar: em torno tudo estava vazio, deserto, silencioso, só as estrelas estremeciam. Era noite.” (DICKE, 1995, p.9)
(DICKE, Ricardo Guilherme. Cerimônias do esquecimento. Cuiabá: EDUFMT, 1995).
Filho de pai alemão e mãe brasileira, Ricardo Guilherme Dicke nasceu em Vila Raizama, no município de Chapada dos Guimarães/MT. Aos 29 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou filosofia na UFR), especializando-se em “Heidegger e o Problema do Absoluto” e “Fenomenologia” de Merleau Ponty, além de cursar o mestrado em filosofia da arte, tendo frequentado, ainda, a Escola Superior de Museologia. Dicke publicou seu primeiro livro, Caminhos de Sol e de Lua, no começo da década de 1960. Em 1968 publicou O Deus de Caim, obra que alcançou o quarto lugar no Prêmio Walmap de Literatura. Ao voltar para Cuiabá/ MT, aliou o seu trabalho como professor e romancista. Dentre as suas obras, destaca-se Cerimônias do esquecimento (1995). A partir da leitura de seu excerto, só NÃO se pode afirmar que: