Apesar de sua importância para o estudo das espécies, a falta de um plano de preservação e fiscalização faz que as ilhas se tornem alvo de especulação imobiliária, turismo predatório e urbanização acelerada. “Só o estado de São Paulo tem 1,3 milhão de hectares de águas territoriais e menos de 10 mil deles protegidos”, alerta o biólogo e diretor de Operações da Fundação Florestal, Fausto Pires de Campos. Apesar de a legislação determinar que não só a União como também estados e municípios respondam pela preservação ambiental, os ambientes marinhos não estão sendo nem estudados nem protegidos.
Segundo a professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Sueli Ângelo Furlan, há no litoral de São Paulo 106 ilhas, 23 ilhotas e 20 lajes (formação rochosa quase sem vegetação). Pelo menos um terço é unidade de proteção integral e as demais estão tombadas. Mesmo assim, várias espécies da flora e da fauna foram reduzidas pela ação humana.
Sem defesas contra espécies invasoras, as ilhas têm como grandes inimigos os desmatamentos, queimadas, caça, coleta de ovos e filhotes e introdução de animais e plantas. (...) Às vezes, até as boas intenções prejudicam. Triste com a situação da ilha do Apara, em São Sebastião – SP, um pescador plantou mudas de coqueiro e cana-de-açúcar, espécies que nada têm a ver com a região. Na ilha do Toque-Toque, foram introduzidas cabras, que estavam destruindo a vegetação nativa. “Apesar de ter placa proibindo o desembarque, sempre tem barco e lancha parando ali, gente armando rede de pesca ou pessoas estressando as aves”, conta o dono de um camping em Ilhabela, Enzo Marques Cabezaolias, que vive expulsando intrusos de uma ilhota em frente da Praia da Prainha, onde no inverno andorinhas do mar, vindas da Argentina e do Chile, fazem ninhos. “Uma vez peguei um garoto enchendo um saco com ovinhos.”
O Estado de S. Paulo, 26/1/2003 (com adaptações).
A respeito dos temas abordados no texto acima, julgue o item que se seguem.
A Lei n.º 5.197/1967 permite a coleta de ovos, desde que destinados a criadouros legalizados e quando solicitada licença.