TEXTO:
A batalha do bem contra o mal foi mais uma vez travada no Rio de Janeiro — agora, com tintas de Armagedom. A cena de carros blindados da Marinha adentrando a favela de Vila Cruzeiro, no bairro suburbano da Penha, um símbolo do poderio do tráfico no Rio de Janeiro, marcou um momento histórico do combate ao crime na cidade. Ali, onde a bandidagem havia montado seu principal centro de distribuição de drogas, armas e munição para morros cariocas, o Estado mostrou, finalmente, quem detém o monopólio da força.
Para alívio dos moradores da região, que enfrentavam um cotidiano de terror sob o jugo dos traficantes, policiais e fuzileiros navais retomaram o controle do território.
O “novembro negro”, como se referiam os marginais à onda de ataques, em diálogos interceptados pela polícia, foi planejado para tentar deter a ocupação paulatina e permanente dos morros e favelas da cidade, por meio da instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Todo o episódio lança luz sobre as fragilidades da segurança pública brasileira. Uma delas diz respeito ao conjunto de leis lenientes com criminosos perigosos, que lhes garantem relaxamento da pena e ainda certas regalias, como, por exemplo, visitas de advogados e parentes sem nenhum monitoramento. Os bandidos tiram proveito dessas situações para transmitir ordens às facções que continuam a comandar de dentro dos presídios.
Outro problema é a falta de coordenação entre as esferas de polícia, que raramente compartilham informações e estratégias.
É preciso descer de uma vez por todas a mão de ferro do Estado sobre o crime organizado. A imagem dos bandidos fugindo atordoados é mostra de que talvez eles tenham começado a desorganizar-se. O bem tem tudo para vencer o mal.
SOARES, Ronaldo; LIMA, Roberta de Abreu. A guerra c
omeça a ser vencida. Veja, São Paulo: Abril, ed. 2193, ano 43, n. 48, p. 133-142, 1º dez. 2010. Cidades. Adaptado.
Existe correspondência entre o termo transcrito e o que dele se afirma em