Como não é possível apagar a mocidade, eliminá-la ou atravessá-la sem dilemas nem dor, o melhor é entendê-la, especialmente em seu atribulado convívio com as normas da sociedade. Nesse aspecto, nada é mais ruidoso do que a busca pela idade certa, considerando-se o funcionamento da mente, para determinar a responsabilidade penal. Os adolescentes conseguem distinguir o certo do errado, mas, depois que se decidem pelo segundo, é difícil que desistam. Vão em frente de um modo que um adulto não iria. Mas há um alento: um cérebro novo tem o que se convencionou chamar de “plasticidade”. É hábil para aprender – bobagens, sobretudo –, mas aceita mudanças de ideia. Vale no banco escolar, vale na construção de valores morais. Um criminoso de 16 anos, portanto, é teoricamente mais fácil de ser “recuperado” do que um de 20.
(Veja, 17.06.2015)
O conceito de “plasticidade” apresentado no texto deve ser entendido como