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2455467 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UNIFAP
Orgão: UNIFAP
Provas:
O texto II intitulado “Em código” será a base para a questão de número 44:
TEXTO II
EM CÓDIGO
Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
– Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
– Tenho. Pode começar.
– Então, lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
– Precisa de quê?
– De uma nora.
– Que história é essa?
– Eu estou dizendo ao senhor que é meio esquisito. Posso continuar?
– Continue.
– Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
– Isso é alguma brincadeira?
– Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
– Mas não opilado – repeti, tomando nota.
– Que diabo ele pretende com isso?
– Não sei não, senhor. Mandou transmitir o recado, estou transmitindo.
– Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
– Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é a minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo…
– Chega! – protestei, estupefato. – Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
– Deve ser carta em código, ou coisa parecida – e ele vacilou: – Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim… Posso continuar?
– Continua. Falta muito?
– Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou, mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
– Não tem dúvida, ficou maluco. – Maluco, não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota… Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha.
– Que Rocha?
– Não sei: é capaz de ser a assinatura.
– Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
– É, mas foi ele que mandou, isso foi. Desliguei atônito, fui até refrescar o rosto, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja pelo interior, prometera ajudar-me, recolhendo farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou,acabei esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista, Deus era Deus mesmo e eu, o caminhão.
(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro, Record, 1976, p.171-173).
Conforme o texto é INCORRETO afirmar que:
 

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