Leia o relato.
[...] Chegando na Paulista a gente ouviu que havia alguma coisa na Augusta e foi a hora em que consegui entrar ao vivo, com um sinal [...] Na Augusta, as pessoas foram entrando e a coisa foi crescendo muito rápido. Um pessoal falou, "está lá para baixo, tem bomba, a Choque está subindo". Deu para sentir que a cada passo que dava, que me aproximava da linha de frente, dava para sentir toda a tensão. Pelo Twitter você vê os comentários, que vão citando a transmissão, uma cachoeira de pessoas ora apoiando os manifestantes, ora contrários ao vandalismo que estavam fazendo.
Eu tentei, de uma maneira intrínseca ao movimento, documentar e colocar em tempo real. Todo aquele processo por que as pessoas passam acaba passando também. As bombas que explodiam do nosso lado. O meu celular trincou, caiu no chão quando a bomba explodiu do meu lado. Ali na rua Augusta foi um momento delicado, logo de cara, mas depois a Choque recuou e os manifestantes conseguiram avançar.
[...] Começa o ato contra a Coca. A primeira leva de policiais vem correndo com cassetetes para cima dos manifestantes, fica um batalhão do Choque perto do painel, meio que isola a área. Eu falo com um rapaz que foi agredido que ficou por ali mesmo. A polícia havia dado umas cacetadas nele, na perna, no tronco. No fim eu volto e mostro um pouco do que acontece ali pela região da Paulista.
A gente sai do ar no fim de tudo, quando a coisa já está num clima mais tranquilo, as pessoas já dispersas. A própria manifestação se esvai e aí eu me despeço de todo mundo, agradeço a participação. A gente teve uma média de 18, 19 mil, com pico de 21, 22 mil pessoas assistindo. É um fluxo, não tem um número fixo, então eu estimo que 100 mil chegaram a passar, abrir, ver um pouco da transmissão.
(Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/06/1297561-com-camera-e-caixa-de-som-ninja-
transmite-e-participa-das-manifestacoes-em-sp.shtml 19.06.2013> Acesso em: novembro/2013.)
Na cobertura dos protestos de junho de 2013 pelo país, o jornalismo tradicional foi superado em agilidade e em vários momentos se pautou por uma nova onda caracterizada pela transmissão ao vivo, a partir de um aparelho celular contendo um aplicativo para envio de imagem e som. Os seguidores compartilharam links e permaneceram em diálogo durante toda a cobertura por meio das redes sociais na internet. A tecnologia que permite a distribuição de dados e arquivos dinamicamente, usada no processo de produção desse tipo de transmissão, é conhecida por