Magna Concursos
3407091 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: IF-RS
Orgão: IF-RS

Um mito

Por Sirio Possenti

O mito mais renitente sobre as línguas é o de que teria havido, em algum momento, línguas perfeitas. Em cada país – ou cultura – há quem lamente sua decadência. As pessoas estariam falando muito mal, ninguém mais respeita as regras, a gramática precisa “voltar” a ser ensinada, quem sabe até mesmo o latim, já que isso ajudaria a melhorar as coisas, da grafia ao sentido, passando pelas regências e concordâncias. As queixas são generalizadas.

A primeira versão desse mito que conhecemos é a história de Babel, embora no livro não se diga que se falava corretamente, mas apenas que se falava uma só língua e todos se compreendiam. O castigo foi a diversidade linguística. Antes disso, o livro informara que Adão deu a cada criatura um nome adequado. Não se fala em sintaxe, concordância, regência, muito menos em correção, mas apenas na adequação dos nomes, que, diga-se, é hoje um tópico de muitas queixas.

Na verdade, o mito da decadência (o avesso do da perfeição antiga) vigora em muitos outros campos: os escritores eram melhores, havia verdadeiros filósofos, os políticos tinham mais compostura (e eram melhores oradores), o casamento era para valer, as mulheres, então... etc.

O dado mais curioso sobre a questão é que as queixas são bem antigas. Cícero já se queixava da mesma coisa, e conhece-se o Appendix Probi, que fazia uma lista de palavras corretas e de sua contraparte “errada” (por exemplo, condenava oricla, de que derivou orelha, defendendo auris; condenava rivus, contra rius, de onde obviamente veio rio; condenava socra (sogra) em vez de socrus; defendia ansa contra a forma nova asa etc.). Ou seja, já naquele tempo se faziam listas de erros, que hoje é um esporte bem lucrativo.

O curioso é que, a cada época, os defensores do seu padrão não se dão conta de que ele foi condenado anteriormente (quem deixaria de dizer rio, asa ou sogra?). Há queixas gerais, pura repetição de clichês, e queixas específicas, que tematizam questões particulares. As queixas começam pela grafia, sem que os críticos se deem conta de que uma lei pode mudá-la. A “invenção” de palavras consideradas desnecessárias ou o emprego das atuais em sentido “corrompido” também é um alvo muito comum.


Disponível em: <http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/3113/n/um_mito> Acesso em: 04 out. 2016

A partir das afirmações de Luiz Roncari (2014), sobre a obra “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida, analise as afirmativas identificando com “V” as VERDADEIRAS e com “F” as FALSAS, assinalando a seguir a alternativa CORRETA, na sequência de cima para baixo:

( ) Na obra, Manuel Antônio Almeida busca o ponto de encontro ou fronteira da sociedade da “ordem” com a da “desordem”. Como as duas não existiam separadamente, o que ele observa é o processo de relações e contato de uma com a outra e a contaminação de uma pela outra, através dos processos de transbordamento das personagens de um lugar social para o outro.

( ) Na descrição da preparação do parto organizado pela comadre, a madrinha de Leonardo, os elementos da religião católica são utilizados com finalidades mágicas, dentro de práticas típicas da crendice e da superstição popular, apontando, com isso, que o sincretismo ou a mistura é o elemento constante e organizador de quase todas as manifestações festivas, ritualísticas ou simplesmente da tradução dos costumes que o autor descreve.

( ) Na construção das personagens, Manuel Antônio Almeida ultrapassou as suas caracterizações como tipos, as suas individualidades não estão sujeitas e determinadas às suas condições sociais, raciais, profissionais, pois ao fixar o foco do romance na área de contato intersociais, raciais, éticos e culturais, faz com que as personagens consigam superar e ultrapassar suas condições, além de afirmarem-se como indivíduos de personalidades autônomas.

( ) Manuel Antônio Almeida buscou equilibrar duas forças de sentido oposto, uma coagindo para a “ordem” e outra para “desordem”, uma identificada com o Estado português, de origem externa e extração europeia e civilizada, e a outra identificada com as forças da “terra”, mameluca. No entanto, não conseguiu que tais forças opostas convivessem e criassem uma ordem em que as duas naturezas e dimensões do homem encontrassem espaço de realização e equilíbrio.

( ) Os melhores momentos de apreensão de contato e reunião de culturas e cores raciais diferentes, dentro da obra, são os encontros festivos e comemorativos, como o que ocorre no capítulo “Origem, Nascimento e Batizado”.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor PEBTT - Português/Libras

40 Questões