No território onde hoje fica Portugal, muito antes da tradição cristã, os celtas já comemoravam a colheita no solstício de verão, o dia mais longo do ano. As festas católicas passaram então a incorporar e a dar novas interpretações às comemorações. Em Portugal, as celebrações nas ruas – com arraiás e bandeirinhas, como no Brasil – acontecem durante todo o mês, mas cada região do país tem um santo mais celebrado.
Embora tenha ficado conhecido como Santo Antônio de Pádua, cidade italiana na qual morreu, o religioso com fama de casamenteiro nasceu na capital portuguesa. Não por acaso, uma das tradições lisboetas para homenageá-lo são justamente os casamentos. No Porto, em Braga e em boa parte do Norte do país, quem domina os festejos é São João. Como o 24 de junho é feriado em várias cidades portuguesas, a animação começa na véspera e invade a madrugada.
Uma das principais tradições das celebrações era o hábito de usar uma espécie de alho-poró para acertar, geralmente com delicadeza, a cabeça de amigos e familiares em meio ao agito. Hoje, o gesto vem sendo cumprido com os martelinhos de São João, brinquedos de plástico que fazem barulho ao serem usados.
Tradicionalíssimas no Brasil, as fogueiras também fazem parte dos ritos juninos lusos. O uso ritualístico do fogo vem, de novo, de cerimônias pagãs, nas quais a queima de ervas era uma maneira de homenagear as divindades. Em Portugal, as chamas também estão presentes nas festas de São Pedro, que têm na prática de pular fogueira uma de suas principais atrações.
Se Portugal se inspirou nos celtas para dar origem às festas dos Santos Populares, ao chegarem ao Brasil os portugueses se depararam com uma tradição indígena de festejar a colheita, que acontece em junho. “Então, o que eles fizeram foi dar, digamos assim, uma característica mais cristã às celebrações que já existiam”, afirma a historiadora Eliane Morelli.
Mesmo que a maior parte das restrições relacionadas à Covid já tenham acabado no país, especialistas em saúde estão apreensivos com o impacto das festas em um momento de aumento de novas infecções.
(Giuliana Miranda. Portugal retoma celebração dos Santos Populares, origem das festas juninas, após dois anos. www1.folha.uol.com.br, 11.06.2022. Adaptado)
A partir do que se afirma no texto, é correto concluir que