Leia o texto seguinte para responder às questões 23 e 24.
Mais e melhores neurônios
A boa ciência experimental obriga pesquisadores a rever teorias e noções que antes pareciam consensuais. No momento, a neurobiologia passa por uma dessas revisões, com a derrocada do antigo princípio de que células cerebrais (neurônios) não poderiam ser repostas pelo organismo adulto. Nessa visão ultrapassada do cérebro, o envelhecimento do órgão equivaleria necessariamente a decadência, na forma de perda progressiva de suas células.
O cérebro não apenas produz novos neurônios como surgem agora indicações de que tanto o aprendizado quanto o exercício físico podem estimular essa forma de regeneração, conhecida como neurogênese.
Transcorreram duas décadas entre a descoberta da neurogênese em camundongos e a do mesmo fenômeno em seres humanos. O tema atrai enorme atenção por conta de seu potencial de tratar doenças degenerativas e lesões no cérebro de idosos, como o mal de Alzheimer e derrames.
Dois grupos norte-americanos se debruçaram sobre essa forma de regeneração, obtendo resultados diferenciados, mas não inconciliáveis. Uma equipe, da Universidade Princeton, verificou que a reposição aumenta quando camundongos são submetidos a tarefas de aprendizado intenso. Outra, do Instituto Salk, constatou resultado semelhante com exercícios físicos continuados.
As pesquisas estão na edição de março da "Nature Neuroscience". Um terceiro artigo na publicação especula que os dois tipos de estímulo para a neurogênese - aprendizado e exercício - podem se complementar, como ocorre na exploração de um novo ambiente. Nessa situação, o animal se movimenta muito para reconhecer o terreno e, ao mesmo tempo, tem de memorizá-lo. Numa palavra, aprender.
A ciência aprende com seus experimentos mais engenhosos e a humanidade, com a ciência. Não só a sobreviver, mas a viver mais, e melhor.
Folha de São Paulo, editorial
Considerando a dimensão discursiva da linguagem, pode-se afirmar que, no texto Mais e melhores neurônios, predomina a função: