Magna Concursos
3260128 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Lins-SP
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O maçarico
Naqueles longes tempos, ele era vítima de um cirurgião- -dentista que, de repente do outro lado da sala de café, da outra extremidade do bonde, da calçada oposta, lançava intempestivamente o seu vozeirão:
– Como vai a poesia?
Todas as cabeças que se achavam de permeio1 voltavam-se então para o Poeta. O Poeta, nu, desmascarado, em meio à multidão! Para evitar esses atentados ao pudor, ele afinal descobriu um meio de fazer a pergunta antes que o outro a fizesse. Mal avistava o dentista, e antes que o mesmo erguesse as trombetas da sua voz, que não soavam propriamente como as trombetas da Fama, mas como as cornetas fanhas da Difamação, bradava o alvissareiro Poeta: – Como vai o maçarico? As cabeças de permeio voltavam-se então escandalizadas ou irônicas para o cirurgião-dentista. Não porque fosse uma vergonha utilizar esse útil instrumento, mas porque maçarico era mesmo uma palavra muito engraçada, uma palavra que rimava com a dança do sarapico-pico-pico e com surubico. O resultado de tudo isso foi que os papéis se inverteram: o dentista pegou medo do poeta.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)
1 permeio: no meio
Na ânsia _______ evitar os atentados ao pudor, o Poeta descobriu um meio de fazer a pergunta antes do dentista. Assim, ele foi capaz _____evitar as atenções para si.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
 

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