Há relação direta entre a vida no meio da rua e a sobrevivência a partir da coleta de materiais do lixo. Essa imbricação entre os rejeitos físicos (lixo) e humanos (excluídos) da sociedade revela uma dimensão perversa da modernidade: o aumento da produção de bens com componentes cada vez mais descartáveis, paralelamente ao aumento da produção de desempregados, dois elementos dialeticamente conexos. A vida no e do lixo é o corolário, nesse sentido, de um processo econômico que valoriza a reciclagem de materiais para um florescente negócio industrial, ao mesmo tempo em que desvaloriza o trabalho das populações que são jogadas no meio da rua. Na realidade do século XXI, o que há é apartação, com o lixo intermediando os incluídos e os excluídos.
Marcel Bursztyn (org.) et al. No meio da rua – nômades, excluídos,
viradores, 2.ª ed., Rio de Janeiro: Garamond, 2003 (com adaptações).
No que se refere ao tema tratado no texto acima, julgue o item seguinte.
Embora importante, a reciclagem é proposta relativamente superficial para garantir a sustentabilidade ambiental. De fato, precedem a reciclagem, entre os fatores relacionados à gestão de recursos sólidos, medidas relacionadas ao comportamento da população, como a redução do consumo de descartáveis, a menor geração de resíduos e o reúso.