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1543899 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Leia o texto abaixo e responda as questões a ele pertinentes:


Texto 1


O luxo que afasta


Aquilo que fazemos na expectativa de sermos “aceitos” pode ser um tiro que sai pela culatra...


Por André Massaro


§1 ____ Um assunto sobre o qual eu gosto de refletir bastante é a “Lei de Jante”. Para quem não conhece, essa tal “Lei de Jante” é uma daquelas regrinhas não escritas (um “meme”, se assim preferir) que é uma espécie de fenômeno cultural nos países nórdicos. Ela diz, basicamente, que “ostentar é feio” e que as pessoas, mesmo aquelas escandalosamente ricas e bem-sucedidas, devem, deliberadamente, procurar restringir o consumo e o estilo de vida para não se “desenquadrarem” do resto da sociedade.

§2____ Ou seja, numa sociedade regida pela Lei de Jante, não é uma coisa socialmente bem-aceita o milionário ter uma Ferrari e uma mansão. “Pega melhor” viver numa casa mais modesta e dirigir uma perua Volvo (o carro “popular” daqueles lados) com vinte anos de uso (mesmo que a riqueza permita muito mais que isso).

§3 ____ A “Lei de Jante” veio de um conto dinamarquês dos anos 30, sendo que “Jante” é a cidade fictícia onde tudo se passa. Quem conhece aqueles lados sabe que a Lei de Jante é um fenômeno real. Obviamente, existe ostentação por lá, mas bem menos pronunciada que em outros lugares. Inclusive, nos círculos de negócios dos países nórdicos, é uma discussão comum se a Lei de Jante não acaba inibindo o empreendedorismo e a inovação, por causa do estigma negativo associado a pessoas que “ficam ricas”.

§4____ Para nós, brasileiros (que gostamos de uma ostentaçãozinha…), esse tipo de comportamento pode parecer surpreendente. Mas, talvez, a Lei de Jante seja apenas uma versão mais radical daquilo que, aparentemente, é um comportamento humano natural.

§5____ No começo deste mês (agosto de 2018) foi publicado um interessantíssimo estudo científico chamado The Status Signals Paradox (O Paradoxo dos Símbolos de Status – em tradução livre), conduzido por pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Israel e Cingapura.

§6____ O estudo mostra que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, símbolos de status como carros exóticos e roupas caras acabam fazendo com que as pessoas que os possuem sejam vistas como MENOS desejáveis para se ter como amigos do que pessoas que utilizam coisas mais “normais”.

§7____ Não se questiona aqui que esses símbolos de status impressionam e podem ter um papel importante, por exemplo, num contexto de negócios. Mas os autores trouxeram à tona um assunto muito pertinente: nos círculos de psicologia e de saúde mental, muito se tem falado sobre a importância das amizades e das relações sociais para o bem-estar das pessoas, especialmente na fase adulta (na qual muitos acabam se tornando solitários e sofrem com isso).

§8____ Assim, pessoas que se apoiam em símbolos de status, com o objetivo de serem “aceitas” socialmente, podem estar conseguindo o efeito contrário, que é se isolar e afastar ainda mais as pessoas. Com isso, um importante fator para uma boa qualidade de vida (que são as amizades) fica comprometido e fragilizado.

§9____ Isso reforça uma tese, muito discutida no mundinho das finanças pessoais, de que as pessoas devem consumir “para si próprias” e não para os outros. Existe uma frase bastante conhecida (que a cada hora se atribui a um autor diferente – então vamos considerar que é de autor “desconhecido”), que diz que “as pessoas gastam o dinheiro que não têm, para comprar coisas de que elas não precisam, para impressionar pessoas com quem elas não se importam”.

§10____ O estudo apenas fornece mais uma evidência (afinal, os nórdicos já sabiam disso…) de que a ostentação acaba, no fim das contas, jogando contra nós mesmos.


(MASSARO, André. O luxo que afasta. Disponível em: https://exame.abril.com.br/blog/voce-e-o-dinheiro/o-luxo-queafasta/. Acesso em: 16 abril 2019. Adaptado.)

De acordo com o texto 1, NÃO é uma constatação do estudo científico chamado The Status Signals Paradox:

 

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