Tratando do tema ensino de línguas modernas, Eddy Roulet (em seu Teorias linguísticas, gramáticas e ensino de línguas) afirma que o principal objetivo desse ensino é permitir ao indivíduo comunicar-se com outros nas diversas situações pessoais e profissionais da vida quotidiana. Acrescenta que a compreensão de tal objetivo envolve a aceitação de três condições, que são, nas palavras do linguista:
Em primeiro lugar, dominar uma língua como instrumento de comunicação não é apenas questão de poder construir e entender orações gramaticais. Trata-se também de saber como usar essas orações em determinados contextos linguísticos e não-linguísticos. [...] Em segundo lugar, comunicar-se com interlocutores não é apenas uma questão de transmitir informações ou formular perguntas referentes aos objetos e acontecimentos que nos cercam. [...]
Em terceiro lugar, e como corolário, comunicar-se satisfatoriamente em uma comunidade linguística não é simplesmente questão de conhecer uma língua pura, homogênea e monolítica; é preciso saber ao menos compreender e se possível empregar diferentes variedades da língua usada numa comunidade específica.
Observe os textos I, II e III.
I. O critério de admissibilidade social na língua é dado, segundo se observa, pelos usos da comunidade, que hierarquiza as formas como adequadas ou não, dependendo das circunstâncias em que o ato de fala ocorre. (Dino Preti, A gíria e outros temas).
II. [...] nível de fala ou registro formal, empregado em situações de formalidade, com predominância da linguagem culta, comportamento mais tenso, mais refletido, incidência de vocabulário técnico; e nível de fala ou registro coloquial, para situações familiares, diálogos informais em que há maior intimidade entre os falantes, com predominância de estruturas e vocabulário da linguagem popular, gíria e expressões obscenas ou de natureza afetiva. (Dino Preti, Sociolinguística – os níveis de fala, Adaptado).
III. O que chamamos de meias (aquelas curtas) os portugueses chamam de peúgas; preferimos que nossos aviões aterrissem, eles, que aterrem; o que conhecemos por trem, em Portugal se diz comboio. E nosso vulgar fone de ouvido (que também alguns de nós gostam de chamar de headfone...) lá se sofistica, e vira auscultador.
Associa(m)-se ao tema da variação linguística, que Roulet aponta como terceira condição para a compreensão do objetivo do ensino de línguas modernas, o(s) texto(s)
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Professor da Educação Básica - EJA/Português
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