Com base no texto abaixo, responda às questões 43 e 44.
“Durante um desses encontros [do Grupo de Matriciamento, conduzido por uma psicóloga de orientação psicanalítica e dois agentes comunitários de saúde (ACS)], R. toma a palavra e pede para que os demais colegas escutem sua angústia. Com alguma dificuldade e o apoio dos ACS, ela relata o forte temor de que seu esposo morra. Vem sonhando com este fato há alguns dias e acredita se tratar de uma premonição. Egressa de um período de tratamento no CAPS da cidade, R. tem uma história que há muito pouco tempo pode começar a narrar. Presenciou a morte (trágica) de algumas pessoas muito próximas a ela e passou a ter alucinações, entre elas, uma em que uma faca ‘olha’ para ela e ‘diz’ para machucar-se. Com o início de seus tratamentos, as alucinações cessam e R. passa a conseguir se servir das palavras (e dos sonhos) para delinear sua angústia. Os colegas de grupo tentam apaziguá-la, dizendo que não se preocupasse (em breve o esposo faria uma cirurgia), mas R. ainda quer conversar um pouco mais depois do encerramento do encontro. Ofegante, conta que ‘se a gente sonha, é que vai acontecer’ e, muito assustada, diz não querer perder o marido. Ocorreu à psicanalista dizer: ‘Sabes que eu conheci um velhinho que escrevia e pensava muito sobre os sonhos das pessoas, e ele nos ensinou que os sonhos na verdade têm a ver com as nossas preocupações, com aquilo que vivemos durante os nossos dias e isso tudo pode aparecer de um jeito muito esquisito mesmo’. Ela escuta, respira fundo e solta o ar de forma entrecortada, mas parece um pouco mais tranquila. No encontro seguinte, chega à sala de grupos e abraça a psicanalista, dizendo, ‘Foi ótimo conversar naquele dia, estou bem mais calma, e agora sei que meu esposo precisa fazer aquela cirurgia para ficar bem’. Durante todos esses momentos de intervenção, os ACS estavam presentes. Esse, a nosso ver, é o principal elemento que diferencia o apoio matricial de outras práticas e que também emerge como desafio. O papel do matriciador não é seguir capitaneando a escuta dos usuários da unidade básica (...), mas conseguir fazer uma passagem dessa escuta à equipe. Logo, a psicanalista-matriciadora e os ACS conversam para examinar aquilo que acontecera nos encontros com a usuária. O que se percebe é uma desmistificação desse lugar de cuidado em relação ao sofrimento psíquico e o empoderamento por parte dos ACS da capacidade de escuta. Uma delas diz à psicanalista, ‘às vezes, eles só precisam de uma palavra, não é?’. E é justamente o que seguem fazendo as agentes, se permitindo dirigirem-se aos usuários para indagar sobre seus desconfortos.” (In: Matriciamento na atenção básica de saúde: o psicanalista em ação fora de casa. Correio da APPOA, 249, out. 2015.
Disponível em: http://www.appoa.com.br/correio/edicao/249/matriciam ento_na_atencao_basica_de_saude_o_psicanalista_e m_acao_fora_de_casa/246. Acesso em 11 dez. 2017).
Pode-se afirmar que o principal objetivo da atividade de matriciamento na Unidade Básica de Saúde (UBS) acima descrita é: