Leia o poema a seguir:
O acendedor de lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
A medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita: –
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita
[...]
(Jorge de Lima)
Considere as seguintes afirmativas sobre o poema:
I. No primeiro quarteto, subjaz a ideia de que o acendedor de lampiões faz o seu trabalho sem cansaço, diligente; ao acender os lampiões, imita o sol, porque, à noite, traz iluminação para a rua, que se junta à claridade da lua.
II. No primeiro terceto, o eu-lírico nos apresenta a condição subalterna do acendedor de lampiões, porque ele, apesar de acender os lampiões da rua, talvez não tenha luz na própria casa/“choupana”.
III. Nos versos “Um, dois, três lampiões, acende e continua//Outros mais a acender imperturbavelmente”, está subentendido o ritmo de trabalho repetitivo do acendedor de lampiões.
Assinale a alternativa CORRETA: