Leia o poema a seguir, de Ana Martins Marques (Livro das Semelhanças, 2015).
Há esses dias em que pressentimos na casa
a ruína da casa
e no corpo
a morte do corpo
e no amor
o fim do amor
estes dias
em que tomar o ônibus é no entanto perdê-lo
e chegar a tempo é já chegar demasiado tarde
não são coisas que se expliquem
apenas são dias em que de repente sabemos
o que sempre soubemos e todos sabem
que a madeira é apenas o que vem logo antes
da cinza
e por mais vida que tenha
cada gato
é o cadáver de um gato
Pode-se dizer que o poema: