Capítulo CXIX / Parêntesis
Quero deixar aqui, entre parêntesis, meia dúzia de máximas das muitas que escrevi por esse tempo. São bocejos de enfado; podem servir de epígrafe a discursos sem assunto.
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Suporta-se com paciência a cólica do próximo.
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Matamos o tempo; o tempo nos enterra.
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Um cocheiro filósofo costumava dizer que o gosto da carruagem seria diminuto, se todos andassem de carruagem.
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Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.
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Não se compreende que um botocudo fure o beiço para enfeitá-lo com um pedaço de pau. Esta reflexão é de um joalheiro.
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Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens, que de um terceiro andar.
MACHADO DE ASSIS. In: MACHADO DE ASSIS. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1971 (Obra completa. v.I.) p. 617.
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Escreva V ou F, conforme seja verdadeiro ou falso o que se diz sobre o texto 6.
( ) Na primeira máxima, a obviedade é um dos elementos responsáveis pela ironia.
( ) Na segunda máxima, a ironia se expressa por meio do paradoxo.
( ) Na quinta máxima, a ironia se constrói pela quebra de expectativa.
( ) Na sexta máxima, a ironia se instaura pela quebra de paralelismo, que leva à quebra de expectativa.
A sequência correta, de cima para baixo, é: