Na era da inclusão [...] há um interessante movimento de atração dos autistas para o cotidiano. No fim do ano passado, a Arena Corinthians inaugurou o espaço TEA (sigla para “transtorno do espectro autista”). Trata-se de uma sala adaptada, protegida por vidros espessos, que reduzem em 90% o barulho externo. Nela, ainda são disponibilizados fones de ouvido para abafar os ruídos. A luz é baixa. Televisores exibem programação infantil, e existem sofás para os pais. Os minitorcedores podem assistir à partida da arquibancada e utilizar a sala apenas em caso de crise – ou, se preferirem, ali permanecer o tempo todo. “É a terceira vez que trago meu filho ao estádio, mas é a primeira vez que ele comemora um gol”, disse à VEJA o gerente de projetos Robson Aparecido da Silva, de 35 anos, que acompanhou a vitória contra o Santos por 2 a 0, ao lado de Henrique, de 6 anos. “Nas outras ocasiões, no meio da torcida, ele fechava os olhos e tapava os ouvidos por causa do barulho.” Para Caio Campos, superintendente de marketing do Corinthians, a ideia nasceu da falta de opções. “Felizmente conseguimos nos adaptar”, afirma ele.
Adaptação é o nome do jogo. Em São Paulo, uma lei sancionada pelo prefeito Bruno Covas determinou que, a partir de abril, todas as salas de cinema da cidade ofereçam ao menos uma sessão mensal com luzes atenuadas e som mais baixo durante o filme, e sem trailers, de modo a evitar a ansiedade. Em janeiro, o governo federal sancionou a lei Romeo Mion, que criou a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. A medida garante prioridade no atendimento de cidadãos diagnosticados. O nome é uma homenagem ao filho mais velho do apresentador Marcos Mion, que tem autismo.
Fonte: Revista VEJA, 14 fev. 2020, p. 78. Adaptado.
O uso desses dois enunciados entre aspas, “[...] É a terceira vez que trago meu filho ao estádio, mas é a primeira vez que ele comemora um gol [...]” e “[...] Felizmente conseguimos nos adaptar [...]", tem a função de