TEXTO:
A língua está ligada, essencialmente, à vida cotidiana de seus falantes. Daí dizer que ela não é uma realidade autônoma, fechada em um sistema, mas um fato que dialoga o estrutural com o social, e essa situação constitui um traço identitário entre os falantes de uma comunidade.
Os comportamentos linguísticos que determinam as relações entre os diversos grupos sociais de uma dada comunidade de fala instituem o conceito de norma linguística, que, por sua vez, determina a inserção dessefalante em certa esfera social, por meio do grau de monitoramento a que está submetido o uso da língua, bem como a variedade em que esse uso se realiza.
A norma culta é estabelecida como ideal de língua, confundindo-se erroneamente com o próprio conceito de língua. Essa variedade é restrita ao meio acadêmico privilegiado e, por vezes, isso ocorre em detrimento de outras variedades que compõem o todo linguístico.
A manutenção de padrões rígidos e fixos estende-se ao ambiente escolar, onde a escrita e a modalidade culta se estabelecem como único objeto de estudo, excluindo outras manifestações da língua, estigmatizadas por meio de julgamentos de valores sociais.
É assim que o preconceito linguístico se estabelece: uma variedade rebaixa a outra ao desprestígio social, vista como desvio ou deturpação da língua, ou melhor, da difundida pela gramática normativa.
A escola não deve eleger a variedade culta como se fosse a língua em si, deve, por outro lado, abranger sem privilégio, uma e outra, como partes de um todo.
O ensino da língua como uma realidade heterogênea é um instrumento poderoso de conscientização e inclusão social, que desenvolve no aluno consciência linguística quanto ao fator extralinguístico relacionado ao uso realdas variedades linguísticas sob circunstâncias pragmáticas, em uma perspectiva funcional da língua e abre-lhe possibilidades infinitas de interação.
BARROS, Vitor Luiz. Disponível em:
<http://vluizbarros.blogspot.com.br/ 2011/02/norma-linguistica-norma-culta-e.html>. Acesso em: 2 set. 2013. Adaptado.
Para Evanildo Bechara (cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras), o uso da língua é tão diversificado, que a esse respeito afirma: Todos temos de ser poliglota em nossa própria língua.
Considerando-se a afirmativa acima, a passagem destacada do texto que a contradiz é