O Google sabe mais sobre você do que a sua mãe. O
Google sabe mais sobre você do que qualquer outra pessoa
ou empresa no mundo. E não é difícil entender por quê.
Diariamente você entra no Google Search e digita o que está
procurando: receita de estrogonofe, sexo, amigos de infância,
pizzaria com serviço delivery, hotéis baratos, programação
de cinema de sua cidade, últimas tolices de alguém famoso,
qualquer coisa.
Pelo Gmail ou Google Talk, você mantém contato com
seus amigos e parentes. Amenidades ou indiscrições da sua
vida pessoal ficam à disposição no Blogger, na rede de
relacionamentos Orkut ou nos álbuns de fotografia do Picasa.
No Google Latitude, você consegue localizar seus
companheiros em qualquer canto do planeta. Já o Google
Maps e o Google Earth ajudam você a chegar ao outro lado
da cidade — ou do mundo. Sem contar os vídeos do
YouTube, capazes de elevar um anônimo ao superestrelato
global em questão de horas, a exemplo da cantora escocesa
Susan Boyle. Tem ainda o Google Health, dedicado a cuidar
da sua saúde; o Books, com um arquivo impressionante de
livros e revistas digitalizados; o Scholar, que reúne artigos
científicos; e o Translate, capaz de traduzir sites inteiros em
idiomas, entre outras dezenas de serviços, digamos,
menores.
Faça as contas: todos os dias, 65% dos cerca de 1,
bilhão de usuários da Internet no mundo utilizam uma — ou
algumas — das ferramentas oferecidas pelo Google. Trata-se
do site mais visitado da Web. São 40 bilhões de buscas por
mês. Diariamente, seus computadores processam mais de
petabytes de dados, ou seja, a capacidade média de
armazenamento de cerca de 170 mil PCs iguais ao que você
tem em casa. No primeiro trimestre deste ano, o Google
registrou um lucro recorde de US$ 1,42 bilhão. Fechou o ano
de 2008 valendo no mercado US$ 86 bilhões. Se a Internet
fosse o mundo, e o Google, um governo prestando serviços a
esta população de mais de 1 bilhão, ele seria o terceiro país
do planeta em população, mais que o triplo dos EUA,
perdendo apenas para a Índia e a China.
Na Googlelândia, a liberdade é plena, porém vigiada.
A empresa registra tudo o que escrevem, o que fazem e o
que compram seus usuários. Mas o lema oficial da
companhia é “Não faça o mal”: segundo o Google, quando o
sistema vasculha as mensagens do Gmail, por exemplo, é
para oferecer a você as propagandas que mais possam
interessá-lo. Se todas as buscas e cliques que um indivíduo
faz são registrados, é porque assim o Google aprende a
responder melhor.
“Acredito que eles sigam seu lema de que não farão o
mal”, diz Howard Rheingold, autor do livro A Comunidade
Virtual e um dos mais respeitados pensadores do Vale do
Silício. “O Google é uma empresa de capital aberto. No dia
em que quebrar a confiança de seus usuários, suas ações
despencam”. São as leis de mercado, pois, que mantêm uma
empresa como o Google bem comportada.
In: Galileu, jun./2009, edição 215 (com adaptações).