Texto 02: Como amo meu país
Para Moacyr Félix
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01 – Com aquela melancolia que ao entardecer em
Teresina Eu olhava do outro lado do sujo rio a vilazinha de
Timon,
05 – com a fúria da multidão endomingada martelando
caranguejos entre farofa e cerveja numa praia de Aracaju,
com penitência de quem amassa o barro que depois vira
anjo nas mãos das mulheres de
10 – Tracunhaém, com solidez marinha do jangadeiro em
Cabedelo empurrando a esperança mar adentro e a repartir
a espinha do dia morto sobre a areia,
15 – com a cadência magoada do vaqueiro tangido nos
seus cornos a recolher o sal e a solidão nos currais de minas em
Curvelo, assim eu amo esse país que me desama.
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20 – Deveria deixar de amá-lo como sub ser vivo E amá-lo ostensivo num tropel de
bandeiras num estádio de urros e canções guerreiras?
25 – Amo este país como o hortelão cuida e corta a praga
de sua horta e parte com seu cesto a bater de
porta em porta, com a resignação do operário
30 – abraçado à neblina da marmita, quando larga os panos e a mulher na madrugada e
sai do café quente de sua casa e desce nos vagões de medo ao fundo da espúria
mina.
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Deve haver quem ame o seu país
35 – como quem escarra em casa própria, coça o saco na calçada, arrota e palita
os dentes, entorna cachaça ao santo suando a alma e o corpo
40 – no ébrio espasmo do gol.
Uns amam seu país
como o mendigo o seu muro,
como o agiota o seu juro.
Outros 45 – como o domador às suas feras:
– distância e precisão –
para evitar que o povo
– lhe arranque o poder da mão
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O poeta define o amor que nutre pelo seu país como