Texto 1 - Parte 2 - O fracasso civilizatório - Questões 4 a 7
Na época em que crescia para se tornar a mais importante editora do país, a Civilização Brasileira, de Enio Silveira, fez uma campanha pela leitura com a famosa frase: “quem não lê mal fala, mal ouve, mal vê”. Um amigo advogado, na incursão dominical que faz a um shopping, às revistas e livros que compra para si, adquire revistas e livros para as netas. É por causa de sua crescente preocupação com uma ameaça que vislumbra: desligadas dos livros e limitando seu canal de comunicação com o conhecimento ao aparelho celular, elas não saberão falar nem ouvir nem ver, teme o advogado, que é um grande leitor. No Pará, o analfabetismo funcional é ainda mais dramático. O Estado se encontra no rabo da fila da alfabetização, muito abaixo da média nacional, próximo das últimas posições. O “fona” é invariavelmente ocupado pelo Maranhão do ex-deputado federal, ex- governador, ex-senador e ex-presidente da república José Sarney. Sarney é um beletrista, membro da Academia Brasileira de Letras. Seu Estado já foi tido como a Atenas brasileira, por seu precioso cultivo da língua e do espírito, mas hoje é uma terra devastada, para usar o poeta T. S. Eliot. Uma obra cuja coautoria pode ser creditada ao político mais poderoso de toda sua história. (...) Na média, os estudantes que estão se alfabetizando no Pará e conseguem entender o que leem e transmitir o que querem dizer e fazer contas acima do número 20 são ínfima minoria. Três quartos dos alunos submetidos à avaliação no teste de escrita, não conseguiram escrever, deixaram as questões em branco ou tentaram imitar a escrita com desenhos. Ou seja: estão voltando à idade da pedra. São ágeis e competentes no manejo de máquinas digitais, se comunicando como exímios personagens do mundo virtual. No contato real, estão de volta à idade da pedra polida, simbolicamente falando. Como projeto de civilização, o Brasil é um fracasso.
Disponível em:<https://lucioflaviopinto.wordpress.com/2015/09/18/o-fracasso-civilizatorio/> Acesso em: 10 out. 2015.
Pode-se concluir que, para o autor, o (a)